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Nível de ensino:

Pós-Graduação

Unidade USP:

Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas [FFLCH]

Área de concentração:

Sociologia

Departamento:

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

Docente(s) responsável(is):

Fraya Frehse

Objetivos:

Esta disciplina pretende discutir as potencialidades teóricas e metodológicas implícitas no interesse cognitivo da sociologia pela dimensão espacial das relações e práticas sociais: isto é, pelo modo como essas se materializam fisicamente e/ou são impactadas pela materialidade física que permeia a vida social. Que tipo de conhecimento emerge quando o pensamento sociológico assume como pressuposto que o espaço nem se restringe a um substrato físico da pesquisa empírica, nem é mera abstração metafórica da reflexão teórica? No intuito de responder a questão, são três as etapas a serem percorridas. Após problematizar, a título de introdução, o porquê de uma sociologia do espaço recorrendo a certa história da concepção de espaço até a emergência histórica da sociologia (em particular na filosofia, na física e na geografia), cabe aprofundar-se naquelas que reconheço como as principais vertentes teóricas forjadas no decorrer da história da disciplina para explanar conceitualmente os vínculos entre vida social e a materialidade física do espaço. Será então possível perscrutar pontualmente alguns de seus desdobramentos mais recentes em contextos acadêmicos específicos, respectivamente na Inglaterra, na França, na Alemanha e no Brasil.

Justificativa:

Se reflexões sociológicas sobre a dimensão espacial da vida social são em boa parte já centenárias, fazendo-se presentes em Georg Simmel e em Émile Durkheim, todas essas são contribuições pontuais para uma história mais abrangente da sociologia no âmbito da qual a noção de espaço constituiu mais um pressuposto do que um objeto de conhecimento próprio. De fato, essa última tendência vem ganhando corpo, em termos históricos, com o avanço da globalização econômica. Este processo implica uma desespacialização das relações sociais que vai de mãos dadas com a multiplicação de espaços outros, antes insuspeitados, reais e virtuais, locais e globais – e diferentes. Não surpreende, pois, que mesmo nas fileiras da geografia, disciplina historicamente pioneira no estudo do espaço, há quem preconize que os idos contemporâneos se caracterizariam pelo chamado spatial turn. Já no caso da sociologia, o interesse renovado pela mediação do espaço na vida social repercutiu primeiramente nos embates em prol da diferenciação entre modernidade e pós-modernidade, o que implicou a recuperação de observações de décadas anteriores forjadas, muitas delas, no seio da própria disciplina. Como no debate sociológico brasileiro tal discussão mais ampla sobre o espaço aparece de modo bastante rarefeito, embora desde os seus primórdios as ciências sociais do país nutram significativos pontos de contato com essa história, cabe oferecer aos alunos de pós-graduação um aprofundamento nas principais perspectivas teórico-metodológicas acerca do assunto. Espera-se assim habilitá-los a desessencializar o espaço como categoria analítica em suas próprias pesquisas, reconhecendo que há implicações teóricas e metodológicas específicas na mobilização de uma ou outra concepção sociológica de espaço.

Programa:

A disciplina estrutura-se em torno de três eixos temáticos, a serem problematizados em aulas expositivas e discussões de texto: Introdução: Por que uma sociologia do espaço? 1. Uma certa história dos vínculos entre ser humano e espaço físico antes da sociologia I. Conceituações sociológicas pioneiras do espaço 2. Simmel e o espaço como efeito e causa de interações sociais 3. Durkheim, Halbwachs e o espaço como representação coletiva morfológica 4. Park, Burgess e o espaço como variável ecológica 5. Os vários espaços da “ordem da interação” goffmaniana 6. Lefebvre e o espaço como mediação da prática social 7. Castells e o espaço como expressão da estrutura social II. Algumas variações recentes 8. O espaço como construto social I: Giddens 9. O espaço como construto social II: Bourdieu 10. O espaço como construto social III: Löw 11. O espaço como produto social I: Martins 12. O espaço como produto social II: Kowarick