Pós-Graduação
Moralidade e Interseccionalidade de Marcadores Sociais
Nível de ensino:
Pós-Graduação
Unidade USP:
Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas [FFLCH]
Área de concentração:
Sociologia
Departamento:
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Docente(s) responsável(is):
Gustavo Venturi Junior
Objetivos:
Esta disciplina tem por objetivo discutir questões teóricas e desafios da mensuração empírica para uma reflexão crítica sobre a (des)construção de preconceitos e discriminações com base em marcadores sociais da diferença. Pretende focar a produção e reprodução psicossocial de perspectivas morais que sustentam atitudes e comportamentos misóginos, racistas, lgbtfóbicos e de intolerância a diferenças no Brasil contemporâneo. Através da abordagem de marcadores de gênero e sexualidades, étnico-raciais, de classe social, de religiosidades e geracionais, propõe problematizar a tensão entre os ideais universalistas de igualdade e dignidade, expressos na DUDH, e a demanda multiculturalista por reconhecimento de direitos a identidades fragmentárias e interseccionais que aflora na modernidade tardia. São objetivos deste curso: 1) Apresentar abordagens de correntes da psicologia social e de teorias políticas normativas para o enfoque da moralidade; 2) Mapear pesquisas sociais empíricas a partir do intento de mensuração de manifestações de preconceitos e discriminações; 3) Discutir os impasses teóricos e políticos entre perspectivas interseccionais e projetos de desconstrução identitária.
Justificativa:
Nas últimas décadas do século 20, a tensão entre igualdade de direitos e direito às diferenças já vinha se colocando no centro do debate sobre a possibilidade de conquista e desenvolvimento da cidadania nas sociedades contemporâneas pluralistas, quando o fenômeno da globalização primeiro se insinuou, para em seguida se acentuar, estreitando radicalmente os espaços e intercâmbios econômicos e culturais, impulsionados ainda pelo advento da internet e, já na primeira década do século 21, pelo aumento dos fluxos migratórios decorrentes de conflitos bélicos regionais, crise econômica e desastres naturais. Emergiram e agravaram-se, assim, conflitos sociais e intolerâncias de toda ordem, que sugerem o soterramento definitivo do ideal iluminista de uma observância de direitos efetivamente universalizáveis, com base em princípios éticos a serem interculturalmente partilhados. A abordagem interacional-construtivista do desenvolvimento moral, elaborada por Piaget e Kohlberg – pouco absorvida no Brasil, mas assimilada por Habermas, entre outros, pelo valor de seus achados empíricos – oferece uma perspectiva teórica profícua para a compreensão (e um instrumental político-pedagógico desafiador para a desconstrução) de preconceitos, discriminações e intolerâncias derivadas da instrumentalização de marcadores sociais, mobilizados para a justificação de desigualdades e para o não reconhecimento de direitos a grupos sociais variados. Sugere, então, caminhos para o enfrentamento da tendência à anomia que parece se disseminar nas sociedades contemporâneas. A primeira parte da disciplina será dedicada à introdução e discussão dos conceitos de julgamento, desenvolvimento e autonomia morais, a partir de teóricos da moralidade. Na segunda serão abordados os processos psicossociais de produção e reprodução de desigualdades assentadas em diferentes marcadores sociais e suas interseccionalidades.
Programa:
1 – Teoria construtivista do desenvolvimento moral 2 – O sujeito autônomo em teorias políticas normativas 3 – Direitos humanos interculturais e filogênese da moralidade 4 – Sociologia da moralidade 5 – Tolerâncias e intolerâncias 6 – Classes sociais: distribuição e reconhecimento 7 – Raças, etnias, racismo e xenofobia 8 – Patriarcado, gênero e misoginia 9 – Sexualidades e lgbtfobias 10 – Marcadores sociais da diferença e interseccionalidades