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Autor(a):

Pereira, Anderson de Carvalho

Orientador(a):

Tfouni, Leda Verdiani

Ano de publicação:

2010

Unidade USP:

Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto [FFCLRP]

Assuntos:

análise do discurso; letramento; psicolinguística

Palavras-chave do autor:

autoria;discurso;letramento;mito;narrativa

Resumo:

O objetivo deste trabalho foi interpretar posições de autoria, articuladas com a relação entre memória discursiva, mito e circulação das práticas letradas. Para isso, tomamos o efeito de separação entre Mito e verdade, para, de modo contrário, considerar como prática letrada a maneira pela qual as questões trazidas pelos Mitos se apresentam entre narrativas orais contadas por uma mulher não-alfabetizada. As bases teóricas são a Análise do Discurso francesa de Pêcheux (AD), a Psicanálise e as pesquisas sobre letramento, principalmente tal como conduzidas por Tfouni e colaboradores. Em relação à metodologia, seguimos o paradigma indiciário de análise proposto por Ginzburg. A partir desses referenciais, consideramos que há uma relação estreita entre a constituição mítica do dizer (a impossibilidade de nele marcar uma origem) e a função do recalque no interdiscurso (esquecimento número um, no sentido de Pêcheux) na estabilização e distribuição dos sentidos. Além disso, entendemos que as produções discursivas (orais e escritas) disponíveis numa sociedade letrada se interpenetram, mesmo que haja desníveis no seu poderio simbólico, por conta da heterogeneidade na distribuição dos sentidos sustentada pela interdição ideológica aos arquivos. A posição de autoria é uma das maneiras de se indiciar diversas alteridades presentes nessa distribuição do sentido que se articula em práticas letradas. Dentro dessa implicação estão formas de leitura do arquivo, que incluem produções de alfabetizados e não-alfabetizados. Concorde essa fundamentação teórica e pelo paradigma indiciário, foi analisado um corpus formado por trinta e quatro narrativas orais produzidas por uma mulher não-alfabetizada e moradora da periferia de Ribeirão Preto-SP, que foram gravadas e transcritas. Nelas, apontamos as marcas, indícios e gestos de interpretação utilizados pelo sujeito-narrador, considerando que o retorno ao já dito ocorre pela marcação de fronteiras com os discursos semanticamente estabilizados e que apontam graus de letramento de natureza vária. Dentre essas marcas, a análise das seqüências discursivas apresenta: 1- os processos de re-significação de narrativas já disponíveis na tradição oral; 2- a transmissão de saberes disponíveis na memória discursiva por meio de sua reformulação articulada às estratégias interpretativas em que o interdiscurso (arquivo) conflui para uma estabilidade do fio do discurso (intradiscurso); 3- as fronteiras discursivas marcadas pelas modalizações e por uma reflexão meta-discursiva que o sujeito-narrador sustenta ao longo do fio do discurso; 4- a articulação do efeito de fechamento de genéricos discursivos (máximas, provérbios, ditos populares) com o mito individual sustentado pelo recalque originário; e por fim, 5- a distribuição de sentidos por meio de formulações não marcadas pelo sujeito-narrador o que vai ao encontro de uma noção de escritura do sujeito (Derrida) e que rompe com a supremacia logocêntrica da escrita alfabética que monopoliza o conhecimento sobre a língua. Ao apostar na alteridade entre oralidade e escrita, portanto este trabalho se posiciona num esforço interpretativo de oposição à dicotomia entre as línguas de madeira e as práticas factuais de linguagem, dicotomia esta a que também se filia a cisão entre oralidade e escrita para enfrentar o monopólio do conhecimento cooptado pela escrita e possibilitar a circulação das práticas letradas.

ABNT:

PEREIRA, Anderson de Carvalho; TFOUNI, Leda Verdiani. Mito e autoria nas práticas letradas. 2010.Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2010. Disponível em: < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59137/tde-03072011-175354/pt-br.php >.