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Autor(a):

Pereira, Fernanda Renata Paziani

Orientador(a):

Silva, Rosalina Carvalho da

Ano de publicação:

2002

Unidade USP:

Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto [FFCLRP]

Assuntos:

delinquência juvenil; violência; psicologia

Palavras-chave do autor:

jovens;polícia;prevenção;problemas sociais;resolução de conflitos;violência

Resumo:

A violência urbana faz parte do cotidiano de nossa sociedade e vem incidindo especialmente sobre os adolescentes que praticam atos infracionais. A necessidade de conhecer as múltiplas visões de algo tão complexo, que muitas vezes é reduzido a explicações causais, motivou a realização deste estudo, que teve por objetivos investigar os significados relativos: à violência na vida cotidiana; aos riscos que julgam correr em suas vidas, e às perspectivas para o futuro. Participaram deste estudo 45 adolescentes do sexo masculino, com idade entre 15 e 18 anos, internos na FEBEM-RP. Os dados foram coletados através de entrevistas individuais, “Oficinas sobre Risco” e notas de diário de campo. A abordagem adotada foi qualitativa, com enfoque interpretativista que privilegia os pontos de vista dos participantes. A análise dos dados mostra que os participantes começaram a praticar atos infracionais pela condição sócio-econômica; por influência dos amigos; pela violência doméstica, e por aliciamento feito pela família. A violência é concebida por eles como uma maneira de agir quando os meios legais não oferecem mais garantias de sobrevivência e de respeito à condição humana. Ao mesmo tempo em que os adolescentes praticam violência, também são vítimas dela. O maior risco que os participantes consideram correr é o de serem mortos pelos adolescentes rivais e pela polícia. Em relação ao risco de morrer em confrontos com adolescentes rivais, nossa análise mostra que as brigas acontecem entre moradores de bairros que já possuem rivalidades entre si. Os atritos são formados por sentimentos de pertencer a um grupo e ter que por essa razão opor-se a outros grupos. As brigas iniciadas nas ruas podem se estender para a FEBEM quando dois adolescentes ou grupos rivais se encontram durante a internação. Os adolescentes resolvem suas rivalidades perseguindo e trocando tiros com seus inimigos e consideram remota a possibilidade de uma convivência pacífica. O risco de morrer durante a perseguição policial parece ser grande, principalmente quando ela é feita à noite, na ausência de testemunhas. Para prender os adolescentes suspeitos de terem praticado atos infracionais, a polícia parece recorrer a meios legais e ilegais, chegando a perseguir mesmo quem é inocente. Diante do risco de morrer e da possibilidade de um dia irem para a cadeia, os participantes relataram que pretendiam não voltar a infracionar depois que fossem desinternados. Apesar das incertezas em relação ao futuro, eles apontaram o RAP, a mudança de cidade e o trabalho como possíveis caminhos que poderiam ajudá-los a abandonar o crime. Ao conhecermos os motivos que levaram os jovens a praticarem atos infracionais; como são formados os grupos antagônicos entre si e seus modos de funcionamento; como acontece a perseguição policial; e as perspectivas para o futuro desses jovens, poderemos propor ações mais eficazes para a prevenção da violência e para a reinserção social desses jovens.

ABNT:

PEREIRA, Fernanda Renata Paziani; SILVA, Rosalina Carvalho da. Jovens em conflito com a lei: a violência na vida cotidiana. 2002.Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2002. Disponível em: < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59137/tde-10032003-171030/ >.