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Autor(a):

Moreno, Gilberto Geribola

Orientador(a):

Mate, Cecília Hanna

Ano de publicação:

2010

Unidade USP:

Faculdade de Educação [FE]

Assuntos:

etnografia; periferia; Educação de Jovens e Adultos

Palavras-chave do autor:

Educação de Jovens e Adultos;etnografia;experiência;juventude;periferia

Resumo:

Essa dissertação é o resultado final de uma pesquisa que teve como pressuposto a necessidade de se investigar as dinâmicas e práticas escolares não se limitando apenas aos elementos presentes no interior da escola. Compreende-se que o entendimento sobre a experiência social e os modos de vida dos jovens estudantes são elementos fundamentais para o desenvolvimento dos processos educativos. Adota-se, como categoria analítica, as noções de jovem e juventude. Estas são relacionadas à categoria de experiência desenvolvida por Thompson (1981), entendida como um conceito articulador entre as dimensões estruturais e cotidianas da vida social. O trabalho se deu através de uma investigação etnográfica que tomou como aporte teórico as proposições da antropologia urbana. As categorias de cenário, mancha e trajeto desenvolvidas por Magnani (2000) foram operacionalizadas para o entendimento das relações que os jovens estabelecem entre a escola, as instituições locais, a vizinhança e espaços sociais da região. O foco inicial da investigação incidiu sobre jovens estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), tendo como campo empírico de pesquisa um equipamento público voltado ao atendimento desse segmento da população na periferia da cidade de São Paulo. Através da observação de campo foi possível definir dois tipos de grupos juvenis no interior da escola investigada: um grupo entre 15 e 18 anos nomeados jovens jovens e outro entre 18 e 26 anos nomeado como jovens adultos. A partir dessa constatação foi possível definir aspectos da circulação desses jovens pelo bairro, atividades no tempo livre e pertencimentos locais. Observou-se uma significativa positivação das características locais e a elaboração de uma identidade juvenil que se processa pelo pertencimento à região definida segundo a categoria nativa quebrada. Uma certa substancialização pode ser observada através de um processo de inversão dos estigmas recorrentemente imputados aos moradores da periferia da cidade. Concomitantemente, observou-se uma classificação nativa dicotômica estabelecendo distinções simbólicas entre a quebrada e os demais espaços da cidade. Constatou-se, também, a presença do crime organizando referenciais simbólicos e códigos de condutas para alguns desses jovens. Foi possível traçar o perfil de quatro tipos de jovens que mantém uma maior ou menor aproximação com o mundo do crime embora todos vivam sob as injunções emanadas de seu interior. Dentro desse cenário a direção da escola investigada adota uma constante negociação com os atores locais articulando a prática educativa com os símbolos e códigos que organizam os modos de vida de parte desses jovens, garantindo o funcionamento da escola.

ABNT:

MORENO, Gilberto Geribola; MATE, Cecília Hanna. Jovens e experiência social na educação de jovens e adultos. 2010.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010. Disponível em: < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-27102010-143740/ >.