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Autor(a):

Fidelis, Juliana Gonçalves

Orientador(a):

Hutchison, Ângela Maria Machado de Lima

Ano de publicação:

2014

Unidade USP:

Escola de Artes Ciências e Humanidades [EACH]

Assuntos:

saúde pública; assistência à saúde; cuidados integrais de saúde; acesso aos serviços de saúde; índios; Pankararu

Palavras-chave do autor:

atenção à saúde do indígena;atenção integral à saúde;atenção primária à saúde;estudos culturais em saúde;profissionais de saúde;usuários indígenas

Resumo:

Analisamos a possibilidade de oferta de ações integrais em saúde em um serviço de Atenção Primária na região oeste do município de São Paulo. Esse serviço atende à uma comunidade indígena da etnia Pankararu, residente na favela Real Parque no bairro do Morumbi, através de uma equipe específica da Estratégia Saúde da Família (ESF). Verificamos em que medida o exame de relatos de profissionais e usuários indígenas deste serviço básico de saúde poderia identificar a atenção integral às necessidades de uma comunidade específica. Utilizamos a metodologia qualitativa e examinamos 05 entrevistas realizadas a sujeitos chave, contendo profissionais e usuários indígenas, liderança indígena e profissionais não indígenas. Estas entrevistas foram realizadas por pesquisadores da pesquisa "Caminhos da Integralidade" e sua utilização foi autorizada para nosso estudo. Na análise e interpretação dos dados utilizamos a análise de conteúdo segundo BARDIN. Classificamos o material em quatro categorias pré-definidas segundo os sentidos atribuídos à noção de Integralidade: 1) como boa Medicina, 2) como modo de organizar as práticas de saúde, 3) como demandas específicas e 4) como construção de projetos de felicidade. Identificamos nos relatos expressões favoráveis e desfavoráveis para uma atenção integral à saúde em cada categoria. Destacamos como variáveis favoráveis: o acesso "diferenciado" dos indígenas aos serviços de saúde; a importância da formação profissional e o interesse individual de aproximação com a cultura indígena; e a possibilidade de articulação entre serviços de atendimento ao indígena nos diferentes níveis de atenção. Como variáveis desfavoráveis: a equipe de saúde indígena tomada como "privilégio"; a falta de abertura para expressões culturais no encontro entre profissional e usuário indígena e na relação entre profissionais indígenas e não indígenas; a falta de conhecimento sobre a etnia assistida; dificuldades entre as especificidades da equipe indígena e os protocolos seguidos pela equipe Estratégia Saúde da Família. Constatamos um paradoxo essencial em nossa pesquisa: a presença da equipe de saúde indígena facilitou o acesso dos Pankararu às ações de saúde, mas nem sempre, os profissionais consideraram a diversidade cultural na abordagem individual/coletiva ou a inclusão do sistema tradicional indígena de cura (Encantados) na assistência a esse grupo étnico. Percebemos também que os profissionais dessa equipe não dispunham de protocolos e de uma padronização específica da rotina de trabalho para a atenção ao indígena. Defendemos que identificar variáveis que apontam distanciamento das práticas de saúde da ideia de integralidade é essencial para investirmos nas mudanças necessárias para uma boa prática em saúde. Concluímos que a integração e a coordenação de diferentes saberes é um bom caminho para construir projetos de felicidade e encontros interativos em serviços de saúde.

ABNT:

FIDELIS, Juliana Gonçalves; HUTCHISON, Ângela Maria Machado de Lima. Integralidade e indígenas urbanos: análise dos relatos de profissionais e usuários de uma unidade básica de saúde no município de São Paulo. 2014.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014. Disponível em: < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100135/tde-23012015-145117/ >.