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Nível de ensino:

Pós-Graduação

Unidade USP:

Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas [FFLCH]

Área de concentração:

Sociologia

Departamento:

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

Docente(s) responsável(is):

Edison Ricardo Emiliano Bertoncelo

Objetivos:

O objetivo principal da disciplina é explorar as principais perspectivas de análise desenvolvidas pela sociologia para descrever e explicar estruturas de desigualdade social (em suas múltiplas dimensões), com ênfase sobre os estudos recentes que utilizam o conceito de classe social. Serão também explicitados os principais dilemas que tensionam esse campo da pesquisa sociológica atualmente. Além disso, a disciplina propõe uma abordagem prática, estimulando os alunos a refletir sobre e colocar em prática diferentes maneiras de operacionalizar e empregar o conceito de classe social em investigações empíricas.

Justificativa:

O conhecimento da produção sociológica sobre as classes sociais é pertinente pela centralidade ocupada pelo conceito para a investigação de estruturas de desigualdade, em suas dimensões material e simbólica. Uma das principais contribuições sociológicas para o estudo das desigualdades é de que estas tomam a “forma de classe”, diferenciando-se, dessa forma, de abordagens que enfocam especificamente a desigualdade de renda ou que analisam separadamente as diversas dimensões da desigualdade. Além disso, o conceito de classe é fundamental para a investigação da dinâmica da vida social, em seus aspectos reprodutivos ou transformativos.

Programa:

Os estudos de estratificação social definem como seus objetivos principais a identificação da forma e dos contornos dos estratos sociais (“classes sociais”, “estamentos”, “castas”) que refletem as principais divisões sociais existentes em uma dada sociedade em certo momento histórico (fundamentos de tais divisões: controle de propriedade da terra, meios de produção, pureza étnica etc.), a descrição dos processos pelos quais os indivíduos são alocados a esses estratos (competitivos ou hereditários), e a reconstrução da operação dos mecanismos por meio dos quais são geradas e reproduzidas as desigualdades sociais (ex. mercado, sanções legais ou convenções). Estudos recentes inspirados pelas tradições marxista e weberiana buscaram construir esquemas de posições de classe com os objetivos de descrever as estruturas de desigualdade e explicar as consequências macro e microssociais das divisões de classe nas sociedades contemporâneas. Embora tais estudos tenham evidenciado a persistência de desigualdades de classe em termos de renda, mobilidade, oportunidades educacionais, participação política etc., críticas foram dirigidas a eles por supostamente terem “atenuado” o escopo da análise de classe (descuidando, entre outras coisas, do processo de formação das classes sociais e da possível conexão entre classe e ação coletiva) e por terem marginalizado as dimensões cultura e simbólica da desigualdade. Outros estudos recentes insistem, por sua vez, que os esquemas de classe são pouco úteis para investigar uma tendência recente de aumento da desigualdade em diversos países, que é o processo de concentração de riqueza no topo da distribuição de renda. A disciplina buscará explicitar esses dilemas que tensionam atualmente o campo das pesquisas sociológicas sobre classes sociais, desigualdade, cultura e política. Parte 1: Os debates recentes em torno das classes sociais: 1.1 Os estudos de classe (neo)marxistas: a formação das classes sociais e a complexificação da estrutura social; 1.2 Os estudos de classe (neo)weberianos: relações de classe e chances de vida; 1.3 Os estudos de classe bourdiesianos: espaço social, espaço simbólico, habitus; 1.4 Os estudos de classe (neo)durkheimianos: culturas e práticas ocupacionais; Parte 2: Os desafios da análise de classe 2.1 Política e ação coletiva; 2.2 A concentração de riqueza no topo da distribuição de renda; 2.3 As intersecções com raça e gênero.