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Autor(a):

Pulhez, Magaly Marques

Orientador(a):

Lira, José Tavares Correia de

Ano de publicação:

2007

Unidade USP:

Escola de Engenharia de São Carlos [EESC]

Assuntos:

casas populares; favelas

Palavras-chave do autor:

arquitetos;cultura profissional;favelas;habitação popular;políticas habitacionais;prática profissional;projeto participativo;saber popular;urbanização de favelas

Resumo:

Esta dissertação propõe uma reflexão crítica sobre a prática profissional do arquiteto voltada às questões da habitação popular, especialmente a habitação em favelas urbanizadas. Partimos de uma revisão histórica do lugar do arquiteto frente às condicionantes de precarização da moradia urbana, trilhando um percurso bibliográfico e analítico que se inicia nos anos 1930 e chega aos dias atuais: procuramos discutir, num contexto ampliado, as especificidades do envolvimento de arquitetos com o universo da cultura popular e das favelas, o que nos permite situar e entender historicamente a inserção desses profissionais nos hoje consagrados processos de urbanização de assentamentos precários, operados num contexto de reforma direcionada ao mercado e de explicitação e radicalização da insuficiência da aposta estatal em políticas compensatórias para lidar com o déficit habitacional. Como procedimento metodológico, optamos por focalizar algumas práticas recentes de urbanização de favelas: as experiências junto aos núcleos Dois de Maio, em São Paulo (SP), Jardim Olinda, também na capital paulista, e Tamarutaca, em Santo André (SP), incluídos, nos anos 2000, em dois diferentes programas públicos de urbanização - o Programa Bairro Legal , da prefeitura de São Paulo, e o Programa Integrado de Inclusão Social (atual Santo André Mais Igual), promovido pelo poder público andreense -, e de cujos projetos urbanísticos e habitacionais participaram, respectivamente, as organizações USINA Centro de Trabalhos para o Ambiente Habitado / TEIA Casa de Criação (em parceria), GTA Grupo Técnico de Apoio e PEABIRU Trabalhos Comunitários e Ambientais. A pesquisa de campo nos permite entender tanto os desdobramentos históricos do exercício profissional dos arquitetos no enfrentamento da questão das favelas, quanto as potencialidades de transformação da prática contemporânea, tendo em vista o contexto político que envolve Estado, movimentos sociais, técnicos e o conjunto mais amplo da sociedade. A partir da descrição dos casos, procuramos discutir o percurso profissional dos arquitetos nos espaços de diálogo, articulações e vinculações que se estruturaram a partir das especificidades das ações desenvolvidas, suscitando uma reflexão aprofundada sobre questões que dizem respeito à realidade atual das políticas públicas voltadas para a urbanização de favelas e sua relação com a questão dos direitos sociais, o lugar do 'projeto participativo' neste contexto e a verificação do espaço assumido pelos arquitetos no desenvolvimento dos projetos. Além disso, questionamos os diálogos possíveis e as mistificações em torno da relação entre conhecimento 'popular' e 'especializado' e tentamos qualificar as figurações que conformam a prática desses profissionais no cenário atual, de forma a problematizar a 'essência técnica' da experiência projetual como horizonte crítico para pensar os conteúdos políticos do ofício.

ABNT:

PULHEZ, Magaly Marques; LIRA, José Tavares Correia de. Espaços de favela, fronteiras do ofício: história e experiências contemporâneas de arquitetos em assessorias de urbanização. 2007.Universidade de São Paulo, São Carlos, 2007. Disponível em: < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18142/tde-06062008-101517/ >.