Pós-Graduação
Corpo: Conhecimento e Compreensão na Cidade
Nível de ensino:
Pós-Graduação
Unidade USP:
Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas [FFLCH]
Área de concentração:
Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades
Departamento:
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Docente(s) responsável(is):
Eucenir Fredini Rocha, , André Mota, , Marcelo Arno Nerling
Objetivos:
A inquietação, a problematização, a intuição, a positivação, a epistemologia, a ciência e a forma, aparecem na interpretação hermenêutica e tem, no domínio do ‘conhecimento’ e na ‘compreensão’, as suas referências na constituição do ‘saber’. As possibilidades de ‘apropriação’, de ‘reaplicação’ da experiência por indivíduos e classes sociais, demanda uma disciplina que tem como desafio central a identificação teórica, a articulação prática e a avaliação empírica de impactos dessas tradições epistemológicas diante da emergência do corpo humano como fronteira para novas legitimidades. Essa emergência é mediada por processos que podem ser reconstruídos interdisciplinarmente pela biopolítica, pela medicina social, pela economia política, pelo direito ao reconhecimento à dignidade e à representação no espaço e no tempo. Ao trazer o corpo para o centro de um debate sobre as formas de pensar, entender e intervir, como programa de pós-graduação, na realidade da cidade, abrimos uma linha de horizonte para uma práxis de inovação institucional e coletiva emancipatória? Liberadora de afetos, projetos e estéticas? O eixo estruturante do programa pedagógico articula conhecimento, compreensão e corpo, no mapeamento conceitual e prático da reinvenção contemporânea dos processos de representação, legitimação e controle. Discutir o alcance, os limites e as possibilidades das estruturas político jurídicas associando a tríade corpo, conhecimento e cidade, para a supressão das intolerâncias e o estabelecimento de novas legitimidades, é o grande objetivo. Refletir sobre o corpo acadêmico, sobre o espírito de corpo das instituições e das corporações atuando sobre nosso corpo, em sua capacidade de carregar e descarregar conhecimento, ocupar e desocupar territórios, induzir ou mobilizar compreensão e engajamento, para ajudar a transformação das coisas, das gentes, e dos ícones ao longo da história, também é nosso objetivo. Pensar sobre o direito e a gestão das políticas públicas de cuidado, prevenção, intervenção em saúde e educação, passa pelo conhecimento e compreensão de métodos e técnicas, que pedem passagem no futuro como senso comum, contra a razão indolente e o desperdício da experiência.
Justificativa:
De forma interdisciplinar, buscamos constituir um espaço acadêmico no qual seja possível encontrar, conhecer e reconhecer saberes ancestrais, de professores e pós-graduandos, para fortalecer os saberes, conhecimentos e compreensões sobre o corpo na cidade. Partimos de epistemologias e das teorias definidoras que envolvem vários saberes articulados neste programa de pós-graduação. Com o estabelecimento dos eixos estruturantes dessa disciplina, nós reconhecemos os limites da história, do direito, da medicina, da terapia ocupacional, enfim, das diversas representações dos modos de conhecer, diagnosticar e reverter as desigualdades, preconceitos, estigmas e manifestações de intolerância, contidas na realidade da cidade e que são carregadas e cultivadas nos diversos corpos. A reflexão proposta orienta para trilhas de saber, que devem questionar os fundamentos, os aportes teóricos e as epistemologias, para agudizar o tempo, o espaço e a identidade de corpos capazes de instaurar novas legitimidades, induzir novas formas de apropriação de experiências significativas da vida no planeta, nas sociedades e nos sistemas de informação e comunicação. Novas soluções ou mediações para corpos em conflitos, em movimento e em crise. São questões que preparam o terreno teórico e o programa de ação prática para um encontro político em favor da tolerância, da diversidade e da sustentabilidade. É um manifesto pela urgência maior de coexistência entre culturas e ampliação das possibilidades de interdisciplinaridade nas ciências sociais, renovadas pela busca de novas legitimidades nas ruas e nas instituições.
Programa:
A disciplina é parte de um Programa de pós-graduação e centra o debate no eixo estruturante do conhecimento e da compreensão do corpo, acentuando a dimensão crítica na defesa da dignidade humana. Com a temática “Corpo: Conhecimento e Compreensão na Cidade” queremos ensinar e aprender as formas, os sentidos, as tendências, as doutrinas, as correntes e seu reflexo no saber, na ciência e na formalização que pesa sobre o ‘corpo humano’. Queremos saber sobre a ‘dignidade humana’ no conhecimento e nas compreensões do tempo histórico. Os estudos epistemológicos e hermeneutas do corpo humano no tempo e no espaço envolvem nos nossos estudos uma representação crítica à dependência e pressupõe alteridade e interculturalidade, para a descolonização dos saberes. Isso não significa uma negação radical do acumulado legado pelo pensamento ocidental. Contra o desperdício das experiências, apontamos trilhas e ornaremos com sínteses, os elementos orientadores do conteúdo. O manejo sustentável dos ecossistemas e da nossa espécie nesse cenário, com nosso corpo e sua institucionalização atravessado pelos modos de produção do capitalismo e das ideologias dominantes. Que corpo é esse? A sua banalização, o corpo violência, o corpo espetáculo, o corpo e as tecnologias médicas e da cultura contemporânea, o corpo mutável, o corpo vendável, o corpo do trabalhador, o controle do corpo dentro e fora do trabalho, o corpo e a sexualidade e os gêneros, o corpo e a mídia, o corpo e os massacres e extermínios, o corpo anormal e patológico, o corpo intoxicado, o corpo dos diferentes e dos “desinteressantes“ para o sistema político e econômico, os corpos que valem e os corpos que não valem, os corpos matáveis e os descartáveis no tempo e no espaço. O controle social do indivíduo e das massas através de seus corpos. Corpo e poder. Queremos conhecer melhor essa ideia de corpo, teorizando e abrindo a porta da sala de aula para olhar a cidade cosmopolita, os estamentos, as estruturas, as violências e a força física e cultural, a cultura da emoção, o corpo e suas recompensas. TRILHAS DE ORIENTAÇÃO Arqueologia do(s) saber(es), conhecimento e compreensão. O corpo humano que anda muito, lê e vê muito, sabe muito. África, Ásia, Europa. Australopitecos (10 milhões); Homo Erectus, Neandertal, Modern Homo Sapiens. A história do corpo humano e a ocupação do corpo. Acreditação e colaboração. A história do corpo político e a cidade. A diversidade epistemológica, científica e hermenêutica do corpo – filosofia das ciências e foco no mundo real: corpo, técnica e imagem. Os 'sentidos' na proteção da dignidade humana. O cuidado com o corpo: máquina, alma, espírito ou ‘corpo relacional’? O corpo água e suas fases: infância, fase adulta e velhice. Alimentação do corpo, saúde e doença. Tempo, espaço e o corpo nas artes, nas ciências e nas humanidades. O corpo dos povos ancestrais, do índio, do preto, do branco, do amarelo. O corpo da mulher. O corpo, a sexualidade, os gêneros. O corpo, a mais valia e a produção: ócio mais culto e um trabalho mais curto. Alteridade e interculturalismo: manifestações da cultura de um corpo social. Conhecimento e legitimidade do outro corpo e a construção de saberes apropriados, registrados, esquecidos, aculturados. Saber, conhecer, experimentar. O corpo do precariado e o tempo. A estética do corpo. O conhecimento e a compreensão do corpo. O conhecimento e a compreensão do corpo do outro e da pluralidade. O corpo na cidade os mapas da desigualdade. O corpo e a cidade. O corpo político regulador e o terceiro setor. Corpo e corporeidade: a experiência corporal e sua percepção contemporânea. O corpo do brasileiro miscigenado: sanitarismo e eugenia como modeladores do homem ideal. A paulistanidade: simbologias e representações em torno do “ser paulista”. O corpo normal e anormal. O corpo desviante. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO Introdução Aula 1 - Seminário de acolhimento (professores e pós-graduandos). Apresentação dos objetivos, pactuação e distribuição de responsabilidades pelo Curso. 12 encontros coletivos. Formação dos grupos: Coordenador, relator, apresentador. Formação de três grupos. Organização das leituras obrigatórias e complementares para cada encontro, considerando o grupo de estudantes e temáticas tratadas. Aula 2 - P1 + P2 + P3 – Síncrese. Biológica, histórica, organizacional. O plano ancestral (história, direito e terapia ocupacional), conhecimentos, compreensões e habilidades. Corpo máquina ou corpo relacional? Aula 03 – P1 + P2 + P3 – Síncrese II. Aula expositiva dialogada. Fechamento grupos – Definição temas - Organização dos Seminários e das horas de estudo. Corpo e Poder. O controle sobre o corpo. Corpo e corporeidade: a experiência corporal e sua percepção contemporânea. Eixo propedêutico - Metodologia Ativa na pós-graduação – A universidade necessária. Aula 4 – G1 – O corpo e a história do corpo. Evolução da espécie e o corpo evoluído. Os vários sentidos e a dignidade humana. Corpo, alma e da razão. Aula 5 – G2 – Saber e conhecer. O corpo que sabe, conhece e compreende ao intervir. O corpo dominado pelos mortos. Aula 6 – G3 – Um corpo na cidade: Ensino, pesquisa e extensão. Eixo profissionalizante Aula 7 – G1 – O corpo humano, o corpo social e o corporativismo. O corpo e as intolerâncias. Da escravidão do corpo à dominação legítima e a dignidade humana. Alcances, limites e possibilidades para supressão de intolerâncias. Aula 8 – G2 – A dominação e a exploração do corpo humano e da natureza. Aula 9 – G3 – O corpo na cidade: comprável, matável, objeto. Eixo prático Aula 10 – Um olhar sobre o corpo humano na cidade – tecnologias e controle do corpo social. Aula 11 – O corpo social na cidade Aula 12 – Síntese – Seminário geral – Síntese dos professores, dos grupos, dos indivíduos sobre a estratégia de ensinagem e sobre novos e renovados conhecimentos e compreensões para atuar em novas frentes de legitimidade na perspectiva do corpo e da dignidade humana nas diversidades.