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Nível de ensino:

Pós-Graduação

Unidade USP:

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo [FAU]

Área de concentração:

História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo

Departamento:

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo

Docente(s) responsável(is):

Marta Dora Grostein, , Regina Maria Prosperi Meyer

Objetivos:

Em 2014 a relação proporcional entre o mundo rural e o urbano passou por uma importante transformação: pela primeira vez na história a população mundial, de acordo com a UN-Habitat (2014), passou a ser mais urbana do que rural. Hoje 54% da população mundial vive em cidades. O motor desta inversão foi, e segue sendo, o atual processo de urbanização que é hoje um dos fenômenos mais decisivos na forma de organização e, sobretudo, de reorganização dos territórios urbanos em todo mundo. Portanto, examinar e buscar entender as dinâmicas que as produzem, distinguir seus atributos físicos, espaciais e funcionais, passou a ser uma atividade essencial para o desenvolvimento, assim como a revisão, de conceitos e métodos com os quais temos trabalhado desde meados do século XX, nas disciplinas cujo objeto são as cidades, o urbanismo, o planejamento e o projeto urbano. Por outro lado, para latino-americanos e brasileiros, esta nova correlação divulgada em 2014 é uma realidade presente desde a década de 60/70. No Brasil a preponderância do urbano sobre o rural foi demarcada em meados dos anos 60 segundo dados do IBGE, produzindo nosso o atual quadro urbano: 82% da população brasileira vivendo em cidades. Mesmo considerando válidas as discussões sobre a fragilidade da classificação do que é efetivamente urbano, as taxas de urbanização no Brasil são altas e, mantém um viés de crescimento. Pela rapidez com que está ocorrendo, assim como pelo conjunto de características físicas, espaciais e funcionais que vem assumindo, a urbanização contemporânea está produzindo configurações urbanas inéditas, impulsionadas por um conjunto amplo de dinâmicas de ordem econômica, social, geopolítica e ambiental, dentre outras também fundamentais, relacionadas aos diferentes contextos urbanos onde ocorrem. Estas, por sua vez, transformam de forma muita intensa e rápida o quadro urbano das cidades e metrópoles em todo mundo. Apesar da abrangência do fenômeno, reconhecidamente mundial, o que nos permite fazer muitos e bons paralelos, são as especificidades locais dos processos que passam a ter grande relevância quando se trata de buscar encaminhamentos objetivos para enfrentar os problemas que uma urbanização com tais características está produzindo na metrópole e na macro-metrópole de São Paulo, duas organizações urbanas diretamente afetadas pelo padrão de urbanização contemporâneo. Portanto, o primeiro objetivo da disciplina é identificar, descrever e analisar as dinâmicas e os atributos físicos do território urbanizado da cidade, da metrópole e, de forma ainda embrionária da macrometropole de São Paulo. Este objetivo inicial deverá se desdobrar em outros tendo como base metodológica as diferentes escalas impactadas pelo atual processo de urbanização. O segundo objetivo é transversal e estará presente em todas as etapas do curso: conduzir as análises, as descrições físicas, as proposições, a considerar sempre o caráter multiescalar das dinâmicas que estão presentes no conjunto do território urbano na cidade, da metrópole e da macrometropole. E, também objetivo da disciplina buscar superar dois problemas que impactam o desenvolvimento das disciplinas que tem nas cidades e metrópoles seu objeto central de trabalho. Um deles é de ordem metodológica e o outro semântica, ambos são prejudiciais em todos os níveis dos trabalhos, das análises até a formulação de políticas públicas sob a forma de planos ou projetos. O primeiro problema incide no método de trabalho e, é frequentemente lamentado por todos, mas ainda pouco enfrentado pelas dificuldades que lhe são inerentes. Trata-se da dissociação promovida no interior das questões urbanas através da utilização de critérios estritamente setoriais. Lógicas muito particulares, resultantes de competências e atribuições específicas conduzem a situações entrópicas que pela dissociação com outros setores acabam por gerar impasse e, algumas vezes de clara ineficiência. Uma segunda questão , vista frequentemente como meramente semântica, é a utilização apressada e, algumas vezes, equivocadas, de conceitos que estão presentes em todas os temas e questões que a disciplina deverá tratar, tais como: território, cidade existente, metrópole e cidade metropolitana, periurbano em contraponto a periferia ou pós-periferia, projeto urbano e desenho urbano, densidade construtiva em contraponto à densidade populacional, dentre muitos outros. O recorte temporal e histórico proposto para a disciplina não deverá ser estrito, pois cada uma das questões que serão objeto de análise introduzem periodizações que lhe são próprias . Porém, para tratar do fenômeno mais amplo da urbanização contemporânea o recorte deverá conduzir a textos teóricos e descrições iniciadas na década 60/70. Ao se debruçar sobre a metrópole de São Paulo a disciplina deverá se fixar no início do século XX como ponto de partida. Os arcos temporais podem ser vistos como muito longos, mas é um objetivo do curso percorrer as questões urbanas que foram historicamente estruturadas.

Justificativa:

Na medida em que as metrópoles são hoje cruciais para o desenvolvimento das nações, em todas as escalas - global, nacional, regional e local – o conhecimento da sua organização física, espacial e funcional, tornou-se fundamental, tanto seu funcionamento intrínseco como os condicionantes institucionais e legais que estas escalas implicam. Na atual fase da discussão o enfrentamento das questões urbanas tem sido equacionado a partir de uma premissa clara: uma visão operacional de perfil interfederativo e, uma premissa um pouco mais abstrata que invoca o “interesse comum sobre o local”. Paralelamente, o reconhecimento que o quadro urbano alcançou novos patamares de complexidade justificados pelas novas escalas do processo de urbanização, torna-se necessária a construção de uma nova pauta para o trabalho analítico e propositivo diante da metrópole contemporânea. A elaboração desta pauta é função das disciplinas que se ocupam do desenvolvimento urbano no seu sentido mais amplo. Para tanto é indispensável conhecer de forma metódica, utilizando a informação disponível, o objeto de trabalho – a metrópole contemporânea – assim como as visões de outras disciplinas com as quais possuímos claras afinidades. Sobretudo, identificando as dinâmicas que operam no seu interior; analisando os atributos físicos, espaciais que estes processos essencialmente dinâmicos promovem; indicando também as decisivas questões infra estruturais sistêmicas que ganharam grande importância diante da nova escala da urbanização contínua. Acreditamos que a reflexão crítica acompanhada de análises de ações concretas, geram um método capaz de articular as novas questões urbanas que o processo de urbanização acelerado está instalando, projetos e políticas públicas que tem no urbanismo seu principal instrumento de ação. Os planos e projetos exigem, na atual conjuntura, um nível de articulação que os transforme em uma pauta de trabalho articulada e integrada. Tal articulação deverá ser alcançada através da identificação e análise dos processos de transformação do território urbano, tanto aqueles já historicamente consolidados, como aqueles que se encontram em formação. Da mesma forma serão objeto de análise o pensamento urbanístico e avaliação dos instrumentos disponíveis nos planos diretores municipais e dos programas, planos e projetos setoriais.

Programa:

O curso será organizado em 4 ( quatro) módulos: Módulo 1 – Uma nova escala de urbanização: um fenômeno global. Análises e conceitos interdisciplinares . Tendências e padrões de crescimento urbano. No primeiro módulo o foco será a urbanização contemporânea presente em estudos interdisciplinares. . Serão apresentadas as vertentes teóricas que dominam o panorama mundial analisadas de forma crítica. Deverão ser destacados os conteúdos do pensamento urbanístico, os planos, as ações, os projetos setoriais que contribuíram para a construção do território urbano da metrópole de São Paulo no seu estágio contemporâneo. Módulo 2 - A Cidade Metropolitana - da urbanização à metropolização - A cidade metropolitana como objeto de análise e proposição do Planejamento Urbano e do Urbanismo. Neste módulo o curso deverá abordar as questões metropolitanas a partir da hipótese segundo a qual às mudanças de escala dos processos de urbanização se associam transformações na organização físico-espacial e funcional de todo o conjunto do território já consolidado. Buscando retraçar as etapas históricas desta evolução do processo de urbanização, o objetivo deste módulo é sublinhar o aspecto dinâmico destas transformações que ocorrem tanto em trechos intraurbanos quanto periurbanos, enfatizando os atributos físicos- territoriais e espaciais ditados pelas questões introduzidas pela nova escala da urbanização que dá origem ao novo ente denominado macrometropole paulista. Modulo 3- O novo padrão de urbanização macrometropolitana e os seus vetores de estruturação territorial. Metrópoles e Macro-metrópole de São Paulo. Organização física, espacial e funcional no interior do território regional paulista. O foco deste módulo é a analise da evolução da organização física, espacial e funcional da macrometropole paulista a partir de seus atributos urbanos. A hipótese de trabalho subjacente ao desenvolvimento deste módulo é que a macrometropole paulista constitui um território organizado a partir do novo padrão de urbanização, a urbanização extensiva. Nesse contexto novas dinâmicas urbanas reconfiguram o território e impactam tanto os espaços metropolitanos centrais e suas periferias, quanto os espaços periurbanos e o rural macro-metropolitano. Módulo 4 – O urbanismo diante das novas escalas. A relação entre planos e projetos. Dos planos aos projetos. Planos setoriais . O papel dos planos diretores e as leis de uso e ocupação do solo. Neste quarto módulo o curso examinará as relações conflitivas que estão presentes nos conteúdos dos planos que contemplam cada uma das diversas escalas da urbanização contemporânea. Serão destacados os conflitos presentes nos dispositivos legais assim como nos projetos setoriais. Serão enfatizados os seguintes aspectos: o papel das redes de infraestrutura na construção do território metropolitano e macrometropolitano; a dimensão ambiental associada aos processos de expansão urbana; o papel das politicas públicas e dos instrumentos urbanísticos.