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Autor(a):

Costa, Flávia Azevedo de Mattos Moura

Orientador(a):

Santos, Claudia Benedita dos

Ano de publicação:

2014

Unidade USP:

Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto [EERP]

Assuntos:

homicídio (condições sociais); mortalidade; população; distribuição espacial (análise)

Palavras-chave do autor:

análise espacial;coeficiente de mortalidade;condições sociais;distribuição espacial da população;homicídio

Resumo:

Considerada um flagelo social, a violência, em especial o homicídio, é problema de saúde pública de grande magnitude e transcendência, que provoca forte impacto na morbimortalidade da população, sendo fundamental compreender sua ocorrência no contexto das condições de vida da população e do espaço que a envolve. Este estudo, com delineamento híbrido, ecológico e de tendência temporal, teve como objetivo obter o padrão espacial dos homicídios, segundo local de residência de suas vítimas, no município de Itabuna-BA, no período de 2006 a 2012, relacionando- o ao Indicador Adaptado de Condição de Vida no ano de 2010. A população constituiu-se de todos os homicídios de residentes no município ocorridos no período estudado. Os dados de mortalidade foram obtidos do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde e as informações que compuseram o Indicador Adaptado de Condição de Vida coletadas do Censo Demográfico de 2010, sendo a unidade de análise o setor censitário. Indicadores epidemiológicos, Anos Potenciais de Vida Perdidos, mapas temáticos e estimador de densidade Kernel foram obtidos. Para a elaboração do Indicador Adaptado de Condição de Vida foi utilizada a Análise Fatorial com os estratos de condição de vida definidos por meio da técnica de agrupamento (hierarchical cluster analysis). Os testes Qui-quadrado e Razão de Chances bruto foram calculados segundo nível socioeconômico para verificação de associação entre os casos de homicídios e a baixa condição de vida. Os softwares ArcGIS 10 e SPSS 18 foram utilizados. O aumento dos homicídios observado ao longo dos anos analisados foi de 214%, sendo que 94% deles incidiram na população masculina. Entre estes, o crescimento se deu principalmente para os mais jovens, de 15 a 29 anos. A arma de fogo foi o instrumento responsável pelos homicídios em 83% das mortes. Quanto às variáveis que compuseram o Indicador Adaptado as com maiores cargas fatoriais foram população alfabetizada acima de 10 anos de idade (0,920); proporção de crianças até 5 anos de idade (0,801) e população alfabetizada com idade entre 10 a 14 anos (0,720). O município foi classificado em quatro clusters: alta, média, baixa e muito baixa condição de vida. A comparação dos mapas de condição de vida e residência das vítimas de homicídios evidenciou relação entre o fenômeno e as áreas mais carentes da zona urbana. A Razão de Chances bruto quando comparados os clusters alta e baixa condição de vida foi igual a 12,62 (RC=12,62; IC 95%:[4,78 ; 33,32]) e igual a 6,93 para os clusters de média e baixa condição de vida (RC= 6,93; IC 95%:[2,76 ; 17,4]). A mortalidade por homicídios em Itabuna atinge índices observados nas grandes metrópoles do país na década 1980, evidenciando que o fenômeno da criminalidade violenta, antes predominante apenas nos grandes centros urbanos, avança para o interior provocando mudanças no mapa da violência homicida do país. A estratificação do município segundo condições de vida e distribuição espacial das residências das vítimas de homicídios permitiu a identificação de áreas onde a população está mais vulnerável, fornecendo subsídios para ações de vigilância à questão da violência.

ABNT:

COSTA, Flávia Azevedo de Mattos Moura; SANTOS, Claudia Benedita dos. Padrões espaciais dos homicídios associados ao Indicador Adaptado de Condições de Vida no município de Itabuna - Bahia. 2014.Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2014. Disponível em: < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22133/tde-08012015-135535/ >.