ACESSAR O MATERIAL TAGS

Autor(a):

Azevedo, Marcos Augusto Pinto de

Orientador(a):

Adorno, Rubens de Camargo Ferreira

Ano de publicação:

2004

Unidade USP:

Faculdade de Saúde Pública [FSP]

Assuntos:

mães; percepção; áreas de pobreza

Resumo:

Este estudo tem por objetivo compreender o significado da Maternidade para os Guarani-Mbyá, residentes da Aldeia Morro da Saudade, localizada na zona sul de São Paulo, região de Parelheiros, portanto vivenciando cotidianamente peculiaridades próprias da periferia de uma grande metrópole. Entre as mudanças, registraram-se contradições relativas ao casamento precoce, apontado pela população mais velha como um comportamento cada vez mais freqüente entre os jovens, os quais revelaram - por sua vez - ter outras perspectivas em lugar da opção imediata pelo casamento tradicional. Entre as novas opções, salientaram estudar, trabalhar e namorar, seguindo padrões semelhantes aos praticados pela população "não-índia". A contracepção, enquanto decisão consciente, apresentou posturas contraditórias. Os mais velhos preconizam o uso das ervas tradicionais e os rituais adotados pela cultura Guarani-Mbyá, enquanto os mais jovens mostram-se cada vez mais predispostos a adotar os contraceptivos utilizados pelos brancos, alegando serem de fácil acesso e "confortáveis": seu uso não requer dietas alimentares e outros rituais rigorosos. Mulheres apontaram as práticas antigas como empecilho para a adesão aos métodos tradicionais da cultura. Planejar a família foi apontado por mulheres mais jovens como prática que parece cada vez mais regular no âmbito de sua vida reprodutiva. A dificuldade de sobrevivência financeira foi apontada como um fator relevante para esta opção. Há indícios de mudança, uma vez que a tradição Guarani tem na prole numerosa o seu padrão família. O parto hospitalar foi apontado pela geração mais velha como crescente ente mulheres jovens. Estas alegaram insegurança e medo do parto natural, realizado na Aldeia e inserido nas práticas tradicionais da cultura, para justificar a nova opção. )Resta saber até que ponto essa escolha não sofre influência do contato com mulheres não-índias, que vivem no entorno da aldeia e adjacências. A discussão destes e de outros resultados levou em conta, também, os achados expressos na literatura, bem como a bibliografia sobre organização social e saúde reprodutiva dos povos indígenas do Brasil.

ABNT:

AZEVEDO, Marcos Augusto Pinto de; ADORNO, Rubens de Camargo Ferreira. Maternidade e transmissão cultural: o que os Guarani, residentes na periferia da capital paulista têm a dizer. 2004.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.