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Autor(a):

Barros, Cláudia Renata dos Santos

Orientador(a):

França Junior, Ivan

Ano de publicação:

2012

Unidade USP:

Faculdade de Saúde Pública [FSP]

Assuntos:

gêneros (grupos sociais); técnicas e procedimentos de laboratório (diagnóstico; psicologia; uso); hiv (diagnóstico); Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (diagnóstico); vulnerabilidade; aplicação do teste; análise multivariada; estudos transversais

Palavras-chave do autor:

gênero;teste anti-HIV;vulnerabilidade

Resumo:

Conhecer os motivos de busca de serviços para a realização do teste anti-HIV é um fator importante para a prevenção da aids entre a população geral. Apesar disponibilização de teste e aconselhamento gratuitos no Brasil, há lacunas quanto cobertura. Assim, este estudo estimou a associação entre fatores contextuais individuais e a realização do teste anti-HIV entre a população brasileira. Para isto, foram analisados dados de um inquérito domiciliar realizado com 4.760 moradores de regiões urbanas. A amostra final foi composta de 2.566 (51,9 por cento ) mulheres e 2.194(48,1 por cento ) homens que tinham iniciado a vida sexual. O modelo teórico foi baseado no quadro da vulnerabilidade e para efeito de análise as variáveis relativas às respostados indivíduos foram consideradas de nível individual (dimensão individual e social da vulnerabilidade) e aquelas referentes ao município de moradia de nível contextual (dimensão social e programática da vulnerabilidade). As variáveis do nível individual foram: características sociodemográficas e da saúde sexual e saúde reprodutiva informação sobre o tratamento de aids, conhecer alguém com aids e ter opiniões sobre práticas de segregação em relação às pessoas infectadas pelo HIV (questões que expressaram a atitude de apartação e exclusão do convívio social dos portadores de Aids). Para o nível contextual, utilizamos o índice de desenvolvimento humano, prevalência de aids e a presença de Centro de Testagem e Aconselhamento no município de moradia. A variável dependente foi categorizada em não realizou teste, realizou por busca espontânea e realizou por solicitação. Para estimação dos fatores associados foram realizados três modelos de Poisson multinível de intercepto aleatório, sendo dois para mulheres (busca espontânea e por solicitação) 1 para homens (busca por solicitação); e um modelo de Poisson sem considerar os conglomerados para os homens (busca espontânea). Nos quatro modelos a categoria de referência da variável dependente foi não realizou o teste. No teste por busca espontânea, observamos que os fatores associados que foram comuns entre mulheres e homens foram do nível individual: idade, uso de preservativo na primeira ou na última relação sexual, autopercepção de risco e conhecer alguém com aids. As variáveis associadas, a este tipo de teste, que foram diferentes entre os sexos foram: entre as mulheres no nível individual (ser solteira ou separada, início a vida sexual até 15 anos, ter tido três ou mais parceiros(as) sexuais na vida e ter informações sobre o tratamento para aids) e contextual (IDH alto e presença de CTA); entre os homens: somente do nível individual (ter ensino médio e superior e ser homo ou bissexual). Já na realização do teste por solicitação, as variáveis similares entre os sexos foram do nível individual (saber ler e escrever, ter filhos de até seis anos de idade, conhecer alguém com aids e ter informação sobre o tratamento de aids) e do contextual (presença de CTA no município de moradia). As variáveis associadas ao teste por solicitação, que foram diferentes entre os homens e as mulheres foram do nível individual: entre as mulheres (idade de 16 a 55 anos, ser casada ou em união consensual, início a vida sexual até 15 anos, uso de preservativo na primeira ou na última relação sexual e ter tido três ou mais parceiros (as) sexuais na vida) e do contextual (IDH alto no município de moradia). Entre os homens as variáveis do nível individual foram: idade entre 26 e 45 anos, ter tido DST na vida, sofrimento de violência sexual e não ter ideias de prática de segregação em relação à aids. Concluímos que o motivo de realização do teste ocorre mais frequentemente quando a epidemia é percebida como próxima. Concluímos também que, independentemente do sexo, a busca espontânea por teste se dá por fatores ligados à vulnerabilidade individual, ao passo que no teste solicitado agrega-se variável do plano programático. Concluímos que há marcadas diferenças de gênero, estando mulheres casadas e homens heterossexuais desprotegidos por não buscarem espontaneamente o teste anti-HIV. A realização do teste por solicitação é coerente com as estratégias da resposta brasileira à epidemia de HIV/Aids que prioriza a prevenção da transmissão vertical, a testagem quando da detecção de outra DST e na ocorrência de violência sexual.

ABNT:

BARROS, Cláudia Renata dos Santos; FRANÇA JUNIOR, Ivan. Fatores associados à realização do teste anti-HIV na população brasileira. 2012.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012. Disponível em: < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6136/tde-22012013-103810/ >.