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Movimentos Populares

Autor(a):

Nascimento, Luiz Carlos Miranda do

Orientador(a):

Moraes, Carmen Sylvia Vidigal

Ano de publicação:

2007

Unidade USP:

Faculdade de Educação [FE]

Assuntos:

anarquismo; educação; educação política; cultura; movimento operário; movimento popular; mobilidade social; história da educação

Palavras-chave do autor:

alfabetização;letramento a-funcional;motivação;MOVA-Guarulhos;sujeito idoso

Resumo:

A presente dissertação consiste em um estudo sobre a motivação de pessoas idosas para freqüentar um núcleo de alfabetização integrante de um movimento de educação popular com os seguintes objetivos: conhecer as expectativas dos sujeitos em relação à aprendizagem da leitura e da escrita e o modo como estas têm sido trabalhadas ao longo de suas vidas; verificar quais são os motivos que impulsionam a participação de um sujeito idoso em uma turma de alfabetização; observar a preferência por estudar em ambiente sócio-educativo não-formal em detrimento ao acesso à rede formal de ensino; e proporcionar aos sujeitos colaboradores uma experiência formativa por meio da realização de pesquisa-formação. Num universo de 307 turmas que compunham o MOVA-Guarulhos no ano de 2006, o campo de investigação constitui-se por um grupo do período matutino, localizado nas dependências de uma Igreja Católica, situado numa região periférica da cidade, onde ocorreu uma série de encontros sistemáticos com um grupo composto por sete educandas idosas, com idades entre 60 e 73 anos. A autobiografia educativa serviu como metodologia de pesquisa-formação tendo em vista a aproximação dos sentidos e valores atribuídos à experiência no movimento de educação popular. Os conceitos essenciais para a compreensão das questões relacionadas à alfabetização advêm das obras de Tfouni (1988, 2004, 2006), Biarnès (1998) e Silva (2001, 2003), no que diz respeito ao letramento como algo que independe da aquisição do código escrito, sendo o letramento a-funcional um conceito chave para a compreensão da relação que os sujeitos estudados estabelecem com a língua escrita. Uniu-se a obra de Goffman (1988, 2003) à análise de Bauman (1999, 2000, 2001, 2003) sobre a fuga da estigmatização em tempos de modernidade líquida numa perspectiva de sociedade policultural. O caminho aberto por esses autores, para a compreensão da identidade pós-moderna e suas relações com a cultura letrada, coadunou-se com a teoria winnicottiana da transicionalidade, compondo assim um arcabouço teórico cuja intenção era a de explicitar a maior amplitude possível de dimensões sociais e psicológicas do objeto em questão. A singularidade das histórias de vida coletadas conduziu a elaboração de sete pontos de análise que sintetizam as informações mais significativas para a compreensão da motivação, a saber: a escola de onde (não) viemos; o que sofremos; por que não viemos antes; vergonha de falar, medo de se expor; saberes distintos, vidas diferentes; leitura representada e escrita terceirizada; e, finalmente, de onde vem o incentivo. A partir desses pontos, infere-se que a aprendizagem da leitura e da escrita não se constitui enquanto principal elemento de motivação para a freqüência desses sujeitos no MOVA Guarulhos. Os avanços na interação social, relacionados com a melhoria da expressão oral e com a forma de tratamento típica entre os sujeitos participantes de um movimento popular de educação, são apontados como principal fator elucidativo da permanência de pessoas idosas numa turma do MOVA-Guarulhos.

ABNT:

NASCIMENTO, Luiz Carlos Miranda do; MORAES, Carmen Sylvia Vidigal. Educar para a liberdade: o projeto anarquista do Centro de Cultura Social - São Paulo, 1933-1955. 2007.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.