Tese (Doutorado)
Cidades e vilas da escravidão: espaços dos excluídos
Autor(a):
Camara, Marcos Paraguassu de Arruda
Orientador(a):
Grostein, Marta Dora
Ano de publicação:
1995
Unidade USP:
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo [FAU]
Assuntos:
planejamento territorial (história)
Resumo:
A coroa portuguesa construiu, no brasil, um modelo de exclusão espacial fundamentado nas políticas de terra e trabalho. Este modelo, paradoxalmente, não pode prescindir de formações espaciais especificas dos excluídos pela servidão ou escravidão, apesar de camufla-las, despreza-las ou tentar destrui-las. Mais de um terço das 227 vilas coloniais surgiram de aglomerações de excluídos. Aldeamentos indígenas, organizados por missionários, deram origem a mais de 90 vilas nas frentes de povoamento. Quilombos tornaram-se paisagem persistente na retaguarda das vilas e regiões de produção. Cortiços tomaram conta dos centros coloniais nos momentos de transição do trabalho escravo ao assalariado, marcando a presença da rale de libertos. Capelas negras e terreiros de candomblé ampliaram os limites da área urbana e influenciaram o uso do solo em suas redondezas. As favelas, fruto do contexto pós-abolição, agregaram, com sua aparência, novo perfil na paisagem urbana. A comprovação da tese foi perseguida nas mais diferentes escalas: desde a do território brasileiro e de suas regiões de produção até a das vilas, cidades e áreas intra-urbanas. Em todas, a persistência das condições econômico-sociais e a coerência das políticas de acesso à terra e ao trabalho, ao longo do tempo, consolidaram o modelo de exclusão espacial, cuja herança vem sendo hoje reforçada pelos efeitos da globalização.
ABNT:
CAMARA, Marcos Paraguassu de Arruda; GROSTEIN, Marta Dora. Cidades e vilas da escravidão: espaços dos excluídos. 1995.Universidade de São Paulo, São Paulo, 1995.