ACESSAR O MATERIAL TAGS

Educação Popular, Movimentos Populares

Autor(a):

Almeida, Renato Macedo de

Orientador(a):

Tomizaki, Kimi Aparecida

Ano de publicação:

2017

Unidade USP:

Faculdade de Educação [FE]

Assuntos:

socialização; movimentos sociais urbanos; militância

Palavras-chave do autor:

militância;movimento ambientalista;Movimento Sem Teto;MTST;SEAE;socialização

Resumo:

A presente pesquisa tem como objetivo central analisar os processos educativos envolvidos na luta por direitos sociais ou políticos, mais especificamente, os processos de socialização e formação relacionados ao engajamento político nas chamadas causas coletivas. Acreditamos que o engajamento político em causas coletivas está relacionado a duas dimensões educativas diversas e, ao mesmo tempo, entrelaçadas: de um lado, o modo como os sujeitos foram socializados está na base das condições de possibilidade do surgimento da militância política, visto que seriam capazes de formar determinadas disposições que conduziriam à militância política ou, pelo menos, à crença na organização coletiva como mecanismo para o enfrentamento de problemas também de ordem coletiva. De outro lado, no interior mesmo dos movimentos de caráter político, desenvolvem-se diferentes processos educativos, de formação e ressocialização dos militantes. Assim, tendo em vista analisar tais dimensões educativas, esta pesquisa assumirá como objeto de estudo a disputa entre o Movimento dos Trabalhadores SemTeto (MTST) e a Sociedade Ecológica Amigos de Embu (SEAE) em torno de uma Área de Proteção Ambiental (APA) situada no município de Embu das Artes. Esse conflito começou em 2012, tendo como foco a disputa em torno dos diferentes usos que poderiam ser feitos desse terreno, mais especificamente, tratava-se da disputa entre duas propostas concretas: o MTST reivindicava a preservação de um trecho da mata, associada à construção de moradias populares na área já desmatada, enquanto a SEAE defendia a preservação total da área como parque ambiental e, portanto, o seu uso exclusivo para esse fim. A análise dos conflitos em torno da questão ambiental, no campo ou na cidade, pode ser muito produtiva para se pensar diferentes dimensões das relações sociais nas sociedades contemporâneas, na medida em que coloca em destaque indivíduos com distintas concepções de sociedade e de natureza e os modos como estas podem ou devem se relacionar. Essas posições a respeito das questões ambientais não são gratuitas, tratase de concepções gestadas em grupos com diferentes origens e posições sociais, bem como com diferentes níveis de escolarização, acesso a informação e condições objetivas de vida, e, por esse motivo, tais conflitos podem também se tornar um exemplo privilegiado para compreensão de como grupos, com origens sociais diversas, se engajam nas chamadas causas coletivas. Os objetivos desta investigação serão alcançados por meio (i) de análise documental de materiais produzidos pelos dois movimentos acerca da disputa pelo terreno acima citado; (ii) de observações de reuniões e atividades que ambos os grupos realizam; (iii) de reconstituição das trajetórias dos sujeitos da pesquisa (militantes dos dois movimentos citados) para a qual lançaremos mão de entrevistas em profundidade, com ênfase sobre a educação recebida em diferentes instâncias anteriores à entrada no movimento (por exemplo: família, escola, igreja, bairro) e, posteriormente, nos processos de formação e ressocialização promovidos no interior dos dois movimentos em questão.

ABNT:

ALMEIDA, Renato Macedo de; TOMIZAKI, Kimi Aparecida. As disputas em torno de direitos como um processo educativo: um estudo de caso sobre a ocupação "Novo Pinheirinho" de Embu das Artes, SP. 2017.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017. Disponível em: < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-01112017-150500/ >.