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Favela

Autor(a):

Mello, Luiz Carlos Migliozzi Ferreira de

Orientador(a):

Fiorin, José Luiz

Ano de publicação:

2002

Unidade USP:

Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas [FFLCH]

Assuntos:

interação professor aluno; medo; vergonha

Resumo:

Tendo como base textos da literatura brasileira, o objetivo deste trabalho é fazer um levantamento do tipo de sentimento (pathos) que caracteriza o relacionamento entre professor e aluno. Para a delimitação do corpus, não se levou em consideração um período de tempo específico, nem tampouco um estilo literário em particular. Com isso, deparou-se com vários tipo de escola: a do fim do século XIX, a de uma região específica do Brasil, a da década de sessenta e setenta e a da década de oitenta e noventa. Encontrou-se também referência sobre a escola pública, a particular, a da favela e da zona rural. Ficou também registrada a presença do internato e do externato. A análise do corpus revelou que a escola, com o seu modo de existência característico, busca sempre o controle, o domínio dos alunos. Em decorrência disso, os alunos são modalizados deonticamente e não volitivamente. As punições e humilhações fazem parte do dia-a-dia da escola. Os programas de delação, de mentira e de vingança mostram o rompimento do contrato fiduciário entre alunos e professores e também entre os próprios alunos. Por tudo isso, os alunos perdem a identidade e a liberdade. É justamente nesse processo de opressão que surgem as paixões que traduzem a essência da escola: medo, vergonha, resignação, desconfiança, indiferença, rancor, tédio. As estratégias de domínio e de controle da escola instauram o aluno como sujeito do dever fazer, quando ele está orientado pelo não-querer fazer. Por fim, seja através do medo ou da vergonha, a escola consegue controlar e dominar os alunos. Isso não quer dizer que não apareçam paixões do relaxamento no corpus investigado, como a amizade e a solidariedade. Elas, de fato, ) são detectadas. No entanto, são tão raras, tão excepcionais que não se pode dizer que são representativas do universo escolar. Toda essa estrutura de poder da escola concorre para a mortificação do "eu" do aluno. O antigo modo de vida do aluno não é mais compatível com a vida escolar. Por meio de sucessivas e constantes profanações ao seu "eu", o aluno sucumbe e cai. Ao se levantar, tem as marcas de um novo "eu": obediência e submissão. Nesse sentido, a instituição escolar pode ser comparada a uma prisão, a um manicômio ou a um convento.

ABNT:

MELLO, Luiz Carlos Migliozzi Ferreira de; FIORIN, José Luiz. A mortificação do ser: uma investigação das paixões no universo escolar. 2002.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.